Entrar    Quero me cadastrar SOBRE O FÓRUM PCs | PUBLICIDADE | AJUDA | FALE CONOSCO

<< Fon e sua sacação: compartilhar WiFi >>

0Recomendações

Por C@T +Biografia
06 de Fevereiro de 2006

 



De olho na expansão do acesso mundial à internet, especialmente para quem está longe de casa, uma empresa espanhola chamada Fon está fazendo grande sucesso. Fundada pelo bem sucedido empreendedor argentino e radicado na Espanha, Martin Varsavsky, a empresa chamou a atenção de grandes companhias. Google Research e Skype, por exemplo, já manifestaram fascínio pela idéia e concretizaram este encanto através do investimento de US$ 21,5 milhões na Fon. Obviamente, a participação de nomes empresariais de peso como estes dois dará notável impulso à nova companhia. Vários outros investidores têm sido atraídos graças, em parte, ao invejável currículo empresarial de Varsavsky.


Martin Varsavsky, fundador da Fon

O objetivo da Fon é construir uma rede de hotspots WiFi muito mais abrangente do que as já estabelecidas por empresas convencionais de telecom, como T-Mobile, Swisscom e outras que, individualmente, não têm mais do que 30 mil hotspots espalhados pelo mundo. A Fon já estendeu seus tentáculos por diversos países: Alemanha, Argentina, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Irlanda, Israel, Japão, México, Suécia e Suíça, e não pára de se espalhar mais e mais.

A empresa pretende superar os 30 mil hotspots logo no seu primeiro ano de atividades e, em quatro anos, objetiva chegar ao primeiro milhão de hotspots. Mas como alcançar este objetivo tão ambicioso? Tenciona fazer com que empresas e indivíduos contribuam com seus próprios hotspots, integrando-os à rede Fon. Em troca, a Fon fornecerá a seus contribuidores acesso Wifi em qualquer lugar onde estejam. Em resumo, quem contribuir poderá utilizar-se dos acessos dos outros contribuintes. Uma idéia simples mas absolutamente genial. Tem tudo para explodir, e já está explodindo.

Ainda não existe um padrão sólido norteando o compartilhamento de acesso Wifi e isto coloca um problema para a Fon, que se utiliza de um padrão unificado entre aqueles que têm acesso pago em casa ou no escritório. O grande desafio, porém, é que o compartilhamento de acesso WiFi contraria o acordo de serviço de quase todos os provedores internet. A Fon pretende contornar este obstáculo através da divisão de seus lucros com os provedores de acesso. Parece uma ótima proposta e os provedores não terão porque recusá-la. A empresa também acredita que, limitando a participação na rede Fon a empresas e pessoas que pagam por seus acessos, o efeito será um forte aumento no uso de provedores pagos de banda larga.

A iniciativa é audaciosa, inteligente e já está encontrando eco junto a alguns provedores de peso, como o Glocalnet, na Suécia, e o Speakeasy, nos EUA: seus clientes têm aprovação para se juntar à rede Fon.

O casamento de interesses poderá ser a grande catapulta mundial da Fon. Apenas exemplificando, o Skype precisa arranjar um jeito de facilitar o acesso internet de seus assinantes em qualquer lugar do mundo, de modo a poder competir ombro a ombro com as empresas de telefonia celular. Aliás, outro exemplo de iminente avanço tecnológico que ajudará a impulsionar a Fon é o advento dos celulares dual-mode WiFi/GSM que podem funcionar tanto na rede de telefonia móvel quanto na internet.

Varsavsky, o fundador da Fon, já sabe direitinho onde irá aplicar a grana que os grandões recentemente investiram em sua companhia. Vai comprar modems para atender aos novos clientes que serão atraídos pela novidade. Outra mudança importante a ocorrer nas próximas semanas na Fon diz respeito aos roteadores em que roda o software da empresa na ponta do usuário. Atualmente, este software só funciona em dois ou três roteadores baseados em Linux. Com o investimento externo, a Fon já está oferecendo roteadores Linksys que adquire a U$ 50 e entrega de bandeja a seus assinantes por metade do preço.

Quando um usuário começa a fazer parte da rede Fon, o software especial da empresa, escrito pelo ás programador alemão conhecido como Brainslayer, assume o controle do roteador dividindo-o em dois roteadores virtuais, metade privado e metade público. O programa nunca permitirá que um usuário externo utilize mais do que a metade da largura de banda do um assinante Fon que ofereceu seu roteador à rede.

O faturamento da Fon provirá da cobrança de não-membros pelo uso da rede. Os primeiros quatro meses de uso são grátis e depois o valor cobrado por hora será calculado de modo a equivaler ao preço de uma passagem de metrô na cidade em questão, diz Varsavsky. Pondo na ponta do lápis, sairá bem mais barato para o internauta do que o preço cobrado por acesso wireless em locais como as famosas lojas de café Starbucks.

Varsavsky reuniu um time de respeito em seu conselho consultivo nos EUA: bloggers, escritores, ativistas, jornalistas e consultores de renome. Estes nomes contribuirão para o mais importante objetivo imediato da Fon: conquistar os Estados Unidos, atraindo o máximo possível de novos "foneros", nome dado aos membros da rede.

Esse artigo tem seus direitos reservados.