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O charme fugidio do Google

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Por C@T +Biografia
26 de Agosto de 2008

 

O CHARME FUGIDIO DO GOOGLE

Alguns analistas estão observando ligeiras alterações no modo de agir da Google como empresa. Um deles foi Joe Nucera, em artigo no New York Times em julho de 2008.



Googleplex em Mountain View, Califórnia.

Baseado nas observações de Nucera, Preston Gralla, do site Computerworld Software, estendeu a análise, observando que a Google sofreu uma transformação — de uma inovadora empresa “upstart”, do tipo daquelas que surgem com idéias mirabolantes e soluções criativas, para um líder da indústria, gorducho e feliz. E mais: essa transição se deu em tempo recorde.

A impressão que fica é que a Google perdeu seu charme inicial, o que significa ótima notícia, especialmente para a Microsoft. Mas essa mudança poderá afetar como nós usamos a nuvem computacional oferecida pelo Google.

Aqui abro um pequeno parêntese quanto ao modo como me refiro à empresa Google e ao serviço de busca Google. A primeira é “a” Google e o segundo é “o” Google. Às vezes me confundo nessa distinção mas, ora bolas, perfeito só Allah, não é mesmo? Fecho parêntese.

No momento, a Google parece estar olhando para nós lá do topo do mundo, mantendo uma considerável supremacia no mercado de buscas online. Ora, se assim é, então porque concluir que ela perdeu seu charme?

Segundo Gralla, em primeiro lugar, é preciso analisar a forma com que a Google trata seus próprios funcionários. A generosidade da empresa, em sua primeira fase, já era até lendária: comida de graça, políticas liberais quanto à maternidade, folgas para pais com crianças em casa, massagens de graça no escritório, academia de ginástica e até troca de óleo nos automóveis dos funcionários.

Mas a atitude da empresa foi mudando aos poucos. Segundo o artigo de Nucera, a Google recentemente dobrou o preço de sua creche, para protesto dos empregados. De acordo com o artigo no New York Times, o co-fundador da Google, Sergey Brin, ignorou as preocupações e reclamações dos pais e desabafou que estava cansado de funcionários que achavam ter o direito a benefícios tais como água mineral e pastilhas de chocolate M&Ms.

Nucera concluiu que a Google, depois de uma fase de inovação e benevolência, passou a encarar a creche corporativa da mesma forma que qualquer outra companhia — como um luxo, não um benefício. Assim, a julgar pelo que os empregados têm relatado, a Google está rapidamente se transformando em apenas mais uma outra empresa qualquer.

Outro exemplo apontado é que os funcionários da Google começaram a desertar. Em uma das mais estranhas reviravoltas do destino, Sergey Solyanik, que foi gerente de desenvolvimento do Windows Home Server na Microsoft, largou seu emprego e foi contratado pela Google. Depois de um tempo, em junho de 2008, largou a Google e voltou para a Microsoft. Seu relato (em inglês) dessa experiência vale a pena ser lido. Mas Solyanik não está só, vários outros empregados da Google estão sartando fora.



Logomarca perto do refeitório ao ar livre
no Googleplex em Mountain View, Califórnia.

Outro indício de que a Google perdeu seu charme é a queda nas ações da empresa. Em novembro de 2007, o papel “GUGL” valia US$ 740, ao passo que em agosto de 2008 estava valendo US$ 490, representando uma queda de 34%. Isso é um desempenho pior do que a média do mercado, em que o índice Nasdaq caiu apenas 16% e o Dow Jones 17% no mesmo período. E sabe-se muito bem que, quando uma empresa segue a tendência de mercado em vez de trilhar seu próprio caminho, é porque seus dias de inovação e pioneirismo já são coisas do passado.

Agora, vamos pensar uma coisa. Se a Google perdeu ou não seu charme inicial, o que é que nós temos a ver com isso? De que maneira isso nos afeta? Nossas buscas online não vão ficar menos eficientes, vão?

Não, de fato, nossas buscas online vão ficar incólumes. Mas a Google está de olho em coisas muito maiores do que simplesmente pesquisas por palavras-chave. Ela está mirando os departamentos de TI (Tecnologia da Informação) das companhias. Ela quer botar a Microsoft para escanteio, oferecendo serviços online como os já conhecidos Google Apps, Gmail e Google Docs.

Segundo o artigo de Gralla, quando Solyanik deixou a Google, fez a seguinte declaração sobre os serviços Google, como Gmail e Google Docs:

— Tem simplesmente coisa demais não funcionando direito nesses serviços, funções que estão regularmente quebradas. Parece que a cada semana 10% das facilidades prometidas não estão funcionando... E são 10% diferentes que quebram a cada semana. Os velhos bugs estão sendo consertados, mas outros novos vão sendo introduzidos.

E, pior do que isso, Solyanik advertiu que os engenheiros da Google se importam mais com o fato de um serviço ser “bacana” do que com sua efetividade.

— A cultura Google valoriza tremendamente essa coisa de ser “bacana” e não tanto a verdadeira qualidade do serviço — comenta.

Tudo isso são obviamente notícias muito boas para a Microsoft, que já tinha perdido a guerra do mercado de buscas para a Google. E é bem sabido que, se a Google fincar pé no mercado de TI, então a Microsoft estará em sérios apuros.



Visitei o pedaço em 18 setembro de 2007.

Então, para nós, o que significa isso tudo? Bem, se você está pensando em pular de cabeça e abraçar os serviços online do Google, é melhor olhar um pouco mais além da mágica da marca. Em vez disso, dê uma boa analisada nos serviços que a firma oferece e faça uma avaliação da Google do mesmo jeito que avaliaria os serviços de qualquer outro fornecedor.

E, na próxima vez que usar Gmail, Google Agenda ou Google Docs, dê uma boa olhada na logomarca do serviço. Você verá nele a palavra BETA, mesmo que alguns desses serviços já estejam no ar há vários anos. O Gmail, por exemplo, foi lançado em 2004. E lá está o famigerado BETA.

Então, pensemos com nossos botões: se a Google está nessa para valer, então porque não move seu software para além do estágio beta?



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