O termo está virando clichê nas mais diversas publicações especializadas (e nas leigas também: nosso colega Bruno Parodi acabou de publicar uma bela matéria sobre o assunto na Playboy!) como sinônimo de tudo o que é novo na internet, mas o que será que define um legítimo representante da chamada Web 2.0? Para responder a essa pergunta com precisão, nada melhor do que recorrer ao serviço mais famoso da empresa que é exemplo desse conceito: o Google!
Neste momento, o primeiro resultado do buscador é a edição 2005 da
conferência Web 2.0, realizada há pouco mais de um mês, em São Francisco.
Não por acaso, o criador do termo Web 2.0, Dale Dougherty, trabalha em uma das organizadoras do evento. Trata-se da O'Reilly Media, de Tim O'Reilly, cujo blog traz provavelmente a
melhor definição do conceito. É o segundo resultado da busca no Google (a terceira deveria ser a Wikipedia, outro excelente exemplo de Web 2.0, mas ela não ficou muito bem rankeada neste caso). Lá ficamos sabendo que a definição começou com uma sessão de "brainstorming" de onde saíram os seguintes exemplos (traduzidos livremente, quando possível):
Web 1.0 --> Web 2.0
DoubleClick --> Google AdSense
Ofoto --> Flickr
Akamai --> BitTorrent
mp3.com --> Napster
Britannica Online --> Wikipedia
sites pessoais --> blogs
evite --> upcoming.org e EVDB
especulação de domínios --> otimização de ferramentas de busca
page views --> cost per click
screen scraping --> web services
publicação --> participação
sistema de gerenciamento de conteúdo --> wikis
diretórios (taxonomia) --> tagging ("folksonomy")
stickiness --> syndication
Mas o que eu acho que melhor define a noção de Web 2.0 são as oito "guidelines" propostas por Tim na última das cinco páginas de seu artigo:
1. A cauda longa (The Long Tail)
Sites pequenos são a massa do conteúdo da internet; nichos estreitos são o grosso das possíveis aplicações da internet. Portanto, permita que o auto-serviço e o gerenciamento de dados por algoritmos atinjam toda a web. Até as fronteiras, e não só o centro, à cauda longa, e não só à cabeça.
2. Dados são a nova Intel Inside
As aplicações são cada vez mais movidas pelos dados. Portanto, para obter vantagens competitivas, busque ser dono de uma fonte de dados única e difícil de reproduzir.
3. Usuários adicionam valor
A chave para a vantagem competitiva nas aplicações de internet está na extensão em que os usuários são donos das informações que fornecem. Portanto, não restrinja sua "arquitetura de participação" ao desenvolvimento de software. Envolva seus usuário tanto implícita quanto explicitamente para agregar valor à aplicação.
4. Efeitos de rede por padrão
Apenas um pequeno percentual dos usuários se dá ao trabalho de adicionar valor à sua aplicação. Portanto, crie padrões inclusivos que agreguem dados dos usuários como conseqüência do uso da aplicação.
5. Alguns direitos reservados
Proteção de propriedade intelectual limita a reutilização e impede a experimentação. Portanto, quando os benefícios vêm da adoção coletiva e não da restrição privada, assegure-se de que as barreiras para adoção são pequenas. Siga padrões existentes e use licenças com o mínimo de restrições possível. Projete para "hackability" e "remixability."
6. O beta perpétuo
Quando dispositivos e programas são conectados à internet, aplicações deixam de ser artefatos de software, são serviços contínuos. Portanto, não empacote novos recursos em edições monolíticas, mas adicione-os regularmente como parte da experiência de uso normal. Engaje seus usuários como testadores em tempo real e construa o serviço para que você saiba como as pessoas usam os novos recursos.
7. Coopere, não controle
As aplicações da web 2.0 são construídas sobre uma rede cooperativa de serviços de dados. Portanto, ofereça interfaces de serviços web e distribuição de conteúdo e reutilize os serviços de dados de outros. Suporte modelos leves de programação que permitam sistemas sutilmente acoplados.
8. Software acima do nível de um único dispositivo
O PC não é mais o único dispositivo de acesso às aplicações da internet e aplicações limitadas a um só dispositivo são menos valiosas do que aquelas que são conectadas. Portanto, desenhe suas aplicações desde o início para integrar serviços em dispositivos portáteis, PCs e servidores de internet.
Sabe o mais interessante disso tudo? Embora existam excelentes sites criados desde o princípio com os conceitos da Web 2.0 em mente - e o exemplo mais próximo de nós é o
Camiseteria.com, onde os próprios usuários desenham e votam nas camisetas que vão comprar, muitos dos serviços citados como exemplo de Web 2.0 já existiam tempos antes de inventarem esse termo. O próprio Fórum PCs, por exemplo, atende pelo menos quatro dos oito requisitos acima - nós já navegávamos na Web 2.0 e nem sabíamos
