Conforme mencionei em
colunas anteriores, a transferência para São Paulo foi a desculpa que eu precisava para finalmente adquirir um notebook. Depois de muita pesquisa e uma tentativa frustrada de adquirir a belezinha do Asus W5 que
havia testado um tempo atrás, acabei optando por um Presario da série V2000, da Compaq (quer dizer, HP). O modelo exato é o V2311US, cujas especificações estão
aqui.
Não é nenhuma supermáquina, mas custou relativamente pouco (R$ 3.600, com nota e garantia) e tinha tudo o que eu precisava, inclusive o processador Turion 64 e a possibilidade de upgrades sobre os quais falarei daqui a umas duas semanas, quando estiverem concluídos. Naturalmente, trata-se de um modelo americano importado por uma empresa independente, sem vínculo com a HP Brasil. Esta
anunciou um modelo baseado no Turion no início do mês, mas o preço é bem mais salgado: R$ 5.400.
O assunto desta coluna, porém, não é o fato de eu ter comprado um notebook, mas a odisséia que foi fazê-lo funcionar como deveria. Nem estou me referindo aos problemas de hardware, como a ausência do gravador de DVD prometido pela
loja, que acabou substituindo o drive ótico do Presario para me atender, ou o fato de os 512 MB de RAM terem vindo em dois módulos, ao contrário do que garantira o vendedor. Os percalços que vou abordar hoje se restringem ao software, mas são até mais graves.
O primeiro senão foi a duração da bateria, abaixo de 1h30. Será possível? Pesquisei, pesquisei e só consegui me convencer de que precisaria comprar a bateria de 12 células. No tal lançamento dos HPs com Turion, porém, chamei José Carlos Yazbek, presidente da AMD Brasil, num canto e perguntei se isso era normal em um Turion. Se fosse, me arrependeria amargamente de não ter comprado um Centrino.
Diante da negativa dele, que levantou a possibilidade de a bateria ter vindo com defeito, virei a mira para os assessores da HP. Eles foram muito prestativos e se dispuseram a me emprestar uma bateria (já que a do Presario V2000 é a mesma usada nos Pavillion da série DV1000) para testar. Só me espantou o fato de saber que a HP não vende quase nenhum acessório para notebook aqui no Brasil - a bateria de 12 células que eu almejava, por exemplo, só trazendo dos EUA.
Se a culpa não era do processador e como eu não levava muita fé na história da bateria defeituosa, devia haver outra explicação. Alguns colegas presentes no evento, entre eles nosso colunista
"Forrest" Xandó, o contador de histórias, e o expert em assuntos elétricos Fernando Ramos, editor da
PC&Cia, perguntaram se eu já tinha olhado no BIOS se o PowerNow! estava habilitado.
Olhado eu tinha, mas não havia quase nada a fazer no simplório BIOS da Compaq - nem qualquer menção ao PowerNow! A única opção de gerenciamento de energia que eu encontrara fora a do Windows, no Painel de Controle, que estava devidamente ajustada para micros portáteis. Diante do "toque" dos amigos, porém, resolvi insistir nessa linha e me pus a pesquisar sobre problemas na habilitação do PowerNow.
Depois de muito ler sobre
underclocking como técnica de prolongamento da autonomia de portáteis e baixar alguns programinhas usados na prática, observei em dois deles (o
AMD Power Monitor e o
RightMark CPU Clock Utility) que, de fato, a tecnologia de economia de energia da AMD não estava funcionando. Tanto na tomada quanto na bateria, em games 3D ou textos do Word, meu Turion ML28 não saía de 1.600 MHz e 1,35 V. Sem o throttling para reduzir seu clock, é natural que a bateria estivesse sendo muito mais exigida do que o esperado.
Mais alguns saltos aqui e acolá a partir do Google bastaram para descobrir que o driver padrão do Windows XP não identifica corretamente alguns processadores da AMD. Eu já havia baixado um driver novo do fabricante de chips (do
mesmo site onde achei o Power Monitor), mas um erro qualquer havia interrompido sua instalação e eu acabara não insistindo. Repetido o processo, o Turion passou a se comportar como deveria, "throttlando" para 800 MHz e 0,9 V na maior parte do tempo e prolongando a autonomia para além de 3 horas. Meus problemas estavam resolvidos... pelo menos até eu resolver me conectar a uma rede wireless. Mas isto é assunto para a próxima coluna...
