Nos comentários a respeito de minha última coluna, sobre o
capacitor plástico que pode revolucionar as baterias dos equipamentos portáteis, o ilustre colega Intruder_A6 levantou a possibilidade dessa tecnologia finalmente viabilizar os carros elétricos. Este é, também, um dos objetivos dos
capacitores nanotecnológicos desenvolvidos com dinheiro da Ford que eu mencionara em uma outra coluna.
Curiosamente, o carro elétrico mais promissor de que ouvi falar recentemente (sem contar os híbridos) não usa nenhuma tecnologia revolucionária. O vistoso Tesla Roadster das imagens abaixo, que chega às estradas dos Estados Unidos em 2008, armazena energia exclusivamente em células de íon de lítio modelo 18650 idênticas às usadas nas baterias dos nossos notebooks. Em 6.800 delas! Juntas, elas armazenam 50 kwh de energia e oferecem até 200 kw de potência, operando a 375 volts.
Segundo os engenheiros responsáveis pelo projeto, a estratégia foi usar componentes abundantes no mercado, tecnologicamente maduros e seguros, já que cada pilha individual armazena uma quantidade relativamente pequena de energia. O tamanho reduzido também ajudou a maximizar a superfície de contato da bateria, essencial para a refrigeração do conjunto.
Tesla Motors
A empresa por trás deste supercarro, uma "start-up" californiana fundada pelo criador do Paypal e parcialmente bancada pelos donos do Google e o ex-presidente do eBay, vem esbanjando racionalidade em suas decisões. O carrão será montado pela inglesa Lotus, usando uma versão modificada de um chassis da própria e a maioria das peças "emprestadas" de outros fabricantes. O que a
Tesla, batizada em homenagem ao cientista sérvio que inventou o rádio e descobriu as vantagens da corrente alternada (AC), quer mesmo é se dedicar ao sistema de propulsão do carrão.
E que sistema! Repare, na imagem abaixo, em um cilindro entre as rodas traseiras do automóvel. Aquilo é o motor. Tem "o tamanho de uma melancia" e pesa pouco mais de 30 quilos, mas sua eficiência chega a 95% e, por ser elétrico, esbanja torque em qualquer rotação e só precisa de duas marchas. Sua potência atinge o máximo na casa das 8 mil RPM, mas o propulsor aguenta até 13 mil. O que significa isso em termos práticos? Ele vai de zero a cem km/h em quatro segundos e passa fácil dos 200 km/h.
E quanto à autonomia, velho problema dos automóveis elétricos? O Tesla Roadster aposta na eficiência do motor e no sistema de frenagem regenerativa - o mesmo que os híbridos como o Toyota Prius usam para carregar a bateria com a energia que seria perdida quando o carro desacelera - para esticar ao máximo a distância entre recargas, estimada em 400 km.
Podem não ser nenhuma maravilha, mas já bastam para a maioria dos passeios. E, como o "carregador de viagem" do veículo permite plugá-lo em qualquer tomada, não há risco de ficar a pé em nenhuma região habitada. A carga completa da bateria demora 4 horas, mas em menos da metade disso ela já tem energia suficiente para 160 km.
Com este desempenho, design assinado pela Lotus e um interior luxuoso, como vemos na foto abaixo, é de se imaginar que o Roadster custe uma pequena fortuna, certo? Mais ou menos. A etiqueta de preço de US$ 100 mil soa impensável para nós, mortais, mas é uma fração do que custam Ferraris e outros superesportivos com aceleração comparável (e sempre menor, já que o Tesla ganha até dos Lamborghini no quesito "aceleração"). Na verdade, o carro é considerado uma verdadeira pechincha - tanto que as cem unidades oferecidas para "pré-venda" já estão todas reservadas. Que pena...
