Algumas semanas atrás, quando o Paulo
relatou sua experiência com o Google Maps, tive vontade de emendar com uma coluna sobre minha
viagem ao Canadá, já comentada brevemente aqui.
Passei quase um mês naquele imenso país no meio do ano e dirigi quase 5 mil quilomêtros, três deles na Costa Oeste, de Vancouver até as Montanhas Rochosas, e o resto na Leste, partindo de Toronto. Se alguém tiver curiosidade, pode conferir algumas fotos da aventura no
meu 8P, o inovador serviço de fotologs da Globo.com (disclaimer: sim, agora eu trabalho lá).
Mas o objetivo desta coluna não é falar de turismo, e sim de tecnologia. Neste caso, a que me ajudou a enfrentar as estradas canadenses sem comprar um único mapa de papel. Antes da viagem, quase como o Paulo fez antes de ir para Miami, programei todas as rotas que faria no computador. Em vez do Google Maps, usei o Microsoft Streets & Trips. Não era uma versão original, mas como eu comprei a dita cuja, me declaro inocente da acusação de pirataria
A escolha do software tradicional em lugar do serviço online se deveu a uma questão prática: eu queria ter tudo armazenado localmente no notebook (momento de propaganda gratuita:
aquele mesmo que estou vendendo lá nos classificados), para poder consultar no caminho, dentro do carro, sem conexão à internet. Mas não era só isso: no segundo dia da estadia em Vancouver, corri à Best Buy e comprei o Streets & Trips, na versão que vem com um receptor de GPS. Isso o Google Maps (ainda) não tem!
Esta versão me custou 150 dólares canadenses (cerca de US$ 135) - 100 a mais que a que não vem com o GPS - mas como a edição 2007 estava para sair, depois comecei a ver o pacote em oferta em outras lojas. Como o programa já estava instalado e configurado no notebook, com todos os destinos cadastrados, bastou plugar o acessório USB e aprender a usar. É tudo relativamente fácil, a não ser por alguns detalhes que demoramos a descobrir por conta própria, já que ninguém lê manuais mesmo.
O programa mostra sua posição no mapa com uma precisão espantosa e só perdeu o sinal quando passamos em alguns túneis subterrâneos, em Montreal. Tem um certo "delay", mas logo nos acostumamos com ele e passamos a considerar as instruções com alguma antecedência. Instruções? Sim, pois o programa avisa, via sintetizador de voz, quando virar, por quantos quilômetros seguir e assim por diante. Na tela, ainda vemos a velocidade média do carro e uma bússola que indica a direção em que estamos seguindo.
O que, para mim, pareceu uma precisão absoluta, porém, está longe de ser suficiente para um outro usuário de GPS que conheci nos últimos dias da viagem. Durante um passeio de barco na região conhecida como "Mil Ilhas" (sim, o molho Thousand Islands foi inventado lá), reparei que o comandante da embarcação usava um programa semelhante ao meu para navegar no rio St. Lawrence.
Quando viu que eu estava interessado na tela de seu computador de bordo (que era um PC comum, sem nada de especial), o capitão - cujo nome eu nem me lembrei de perguntar - puxou assunto e trocamos algumas palavras sobre a tecnologia GPS. Eis que ele me mostra que, de acordo com o computador, nosso barco deveria estar em terra firme, encalhado na margem do rio. "Há um desvio de uns 20 metros", disse.
OK, é notório que a precisão dos GPS civis não é tão grande assim, o que explicaria o erro. Surpreendente foi saber que não foi sempre assim. Segundo nosso capitão anônimo, antes dos atentados de 11 de setembro, dava para confiar quase cegamente no computador do barco. "Depois os americanos mandaram aumentar a margem de erro do sistema para evitar que terroristas o usassem para guiar bombas". É uma bela teoria da conspiração. Mas será só uma teoria?
