O assunto não é nenhuma novidade, mas como eu só fui ler a respeito recentemente e achei muito interessante, achei que valia a pena compartilhar com vocês. Em tempo: só por curiosidade, OK? Nada de sair copiando dinheiro por aí para mostrar que consegue.
Quem assistiu ao "Homem que Copiava" pode achar que é facílimo falsificar cédulas usando uma copiadora colorida. Se você tentar fazer isso com algumas notas (de Euros, principalmente), em copiadoras fabricadas nos últimos dez anos, vai descobrir que as máquinas simplesmente se negam a reproduzi-las. E se tentar escanear dinheiro no Photoshop CS, dará de cara com uma mensagem que avisa que o programa não suporta a edição de imagens de cédulas e um
link para um site sobre repressão à falsificação.
Muita gente já sabia disso, mas quantos já se questionaram como as máquinas de "xerox" e os programas conseguem identificar as notas? Alguém poderia até cogitar que eles tivessem essas imagens arquivadas internamente e as comparassem com cada página copiada ou digitalizada, mas isso não explicaria o fato de identificarem até modelos de notas criados depois da fabricação da copiadora (ou lançamento do software).
Metade do problema foi resolvido há tempos e
explicada por Markus Kuhn, da Universidade de Cambridge, cinco anos atrás. Repare no verso da nova cédula de US$ 20, abaixo. O tamanho não ajuda, mas com um pouco de esforço dá para notar uma série de números "20" amarelos espalhados nas duas laterais da nota, certo? Eles também aparecem (nas denominações corretas, claro) nas cédulas de US$ 10 lançadas no ano passado e nas de US$ 50, de 2004 em diante. E escondem um pequeno segredo.
O primeiro algarismo desses números não serve para nada, mas os zeros perfeitamente redondos estão dispostos de uma forma muito especial, batizada informalmente de "
Constelação Eurion". É uma dupla referência às notas de Euro, onde foi observada pela primeira vez, e à constelação de verdade Orion. Cinco bolinhas de 1 mm de diâmetro dispostas dessa forma são o suficiente para dizer às copiadoras que aquilo é uma cédula.
O uso dos círculos como zeros é apenas uma das formas criativas que os desenhistas de cédulas encontraram para inserir as constelações em suas criações. Em notas de outros países elas aparecem como detalhes de desenhos geométricos, pontos perdidos num fundo vazio e até "cabecinhas" de notas musicais. Para as copiadoras, pouco importa... desde que as formações sejam visíveis e mantenham as proporções.
Engenhoso, né? O problema é que isso só explica como as copiadoras reconhecem dinheiro. Steven Murdoch, um outro pesquisador da Universidade de Cambridge,
realizou vários testes com softwares de edição de imagem e concluiu que eles não dependem da Eurion para saber quando estão diante de uma cédula.
Desta vez, parece que o sistema é baseado em marcas d'água digitais criadas pela Digimark e consegue identificar pequenos pedaços de notas sem nenhuma "estrela" da Eurion. Mais moderno, mas muito menos artístico. E continua vulnerável, como pode ser conferido
neste vídeo, que ensina a burlar a proteção do PhotoShop. Por sua conta e risco! Antes de brincar de artista com dinheiro, consulte as restrições legais no
site mencionado lá no início.