Há duas semanas, quando escrevi a respeito dos
novos táxis híbridos de Nova Iorque e sobre o Agressor, o híbrido que o Exército americano encomendou, o Fernando Ruiz deu a dica do CityCat, um carro a ar-comprimido que
está prestes a ganhar as ruas da Índia, onde será produzido em escala industrial. Ruiz ainda indicou o site oficial da
MotorMDI, a empresa familiar francesa por trás da tecnologia - com
versão em português e tudo.
O CityCat chega a quase 110 km/h e tem autonomia para rodar 200 km. Pouco para quem pretende viajar com ele, mas suficiente para sua aplicação inicial: funcionar como táxi. A recarga demora alguns minutos nos postos equipados com um compressor especial e custa cerca de R$ 4. Mas também é possível encher o tanque (de ar) com um compressor embutido no carro - desde que haja uma tomada elétrica para plugá-lo e se esteja disposto a esperar umas quatro horas.
Na prática, o CityCat é um carro elétrico sem baterias - a energia é armazenada sob a forma de ar comprimido. O problema disso é que, embora o veículo em si não emita nenhum gás poluente, se a eletricidade usada para alimentar o compressor (do carro ou do posto) tiver sido produzida pela queima de combustíveis fósseis (carvão, no caso da Índia), é quase como transferir a atividade poluente de um lugar para outro - o mesmo problema discutido na área de comentários da
coluna sobre o Tesla Roadster.
Reparem que eu escrevi "quase". Sim, pois os defensores dessas tecnologias alegam que, em primeiro lugar, a eletricidade pode vir a ser gerada por instalações ecologicamente corretas - a Tesla até se propôs a vender energia proveniente de usinas solares para os compradores de seus esportivos elétricos. Além disso, os geradores e compressores usados para abastecer o carro a ar são muito mais eficientes do que os motores a explosão dos carros convencionais. Em outras palavras, eles continuam queimando combustíveis fósseis, mas em menor quantidade devido à redução do desperdício.
Economia do barulho
E já que o assunto é eficiência, vale mencionar uma outra novidade, esta indicada pelo colega Zerstörer, nos comentários sobre a iniciativa do
Climate Savers Smart Computing - assunto da
coluna da semana passada, e pelo Rodrigo Perasso, via MP.
Segundo o Science Daily, um grupo de pesquisadores da Universidade de Utah desenvolveu uma tecnologia para converter calor em som e som em eletricidade.
A idéia é reciclar o calor desperdiçado por equipamentos ineficientes - de computadores pessoais a instalações de radar e torres de resfriamento de usinas nucleares - para alimentar eletrônicos em geral. Como a grande perda de motores, processadores e afins se dá sob a forma de dissipação de calor, a tecnologia pode, indiretamente, tornar todos esses componentes mais econômicos.
Os conversores criados pelos cientistas de Utah podem ser tão pequenos quanto uma moeda de um centavo e, ainda assim, emitir 120 decibéis de som - volume comparável ao de uma sirene ou show de rock. Obviamente, essas ondas sonoras ficam quase totalmente contidas dentro dos dispositivos ou viram eletricidade antes de chegarem aos nossos ouvidos e, no futuro, poderão ser produzidas em freqüências inaudíveis por seres humanos.
Embora tenham sido demonstrados convertendo o calor de fósforos e maçaricos, os dispositivos conseguem produzir eletricidade a partir de diferenças de temperatura a partir de 32 graus centígrados. Desta forma, deve ser possível instalar um entre o processador de um computador e o cooler para reaproveitar parte da energia e, de quebra, ajudar a resfriar o sistema. É ou não é uma idéia promissora?