
A Intel anunciou na quinta-feira ter cancelado seus planos para entrar no mercado de chips para televisores digitais, o que significa o abandono de um dos componentes principais em sua iniciativa para o mercado de bens de consumo eletrônicos. O cancelamento, que se segue
a uma série de problemas na maior fabricante de chips do mundo, elimina uma das grandes ameaças competitivas que a Texas Instruments, cujos processadores para televisores de projeção se tornaram grande sucesso, teria de enfrentar.
"O que decidimos é que, dados os investimentos necessários e os retornos que poderíamos obter, bem como o cronograma para isso, não faria sentido para nós tentar trabalhar com essa tecnologia específica", disse Bill Calder, porta-voz da Intel.
No começo do mês, a Philips Electronics também anunciou que suspenderia o desenvolvimento de televisores baseados na mesma tecnologia. A empresa justificou a decisão dizendo que sua fatia de mercado era baixa demais.
Nove meses atrás, a Intel anunciou planos para uma campanha de expansão agressiva fora do setor de computadores pessoais, por meio da oferta de novos chips para televisores de tela grande e alta definição.
Os chips empregavam uma nova tecnologia, conhecida como cristal líquido sobre silício, ou LCoS, que a despeito dos elogios dos especialistas em vídeo jamais tinha sido comercializada em larga escala.
O presidente da Intel, Paul Otellini, que deve assumir o posto de presidente-executivo no ano que vem, disse em janeiro que a Intel alteraria o quadro econômico do mundo da televisão, com a tecnologia LCoS, que combina cristais líquidos, uma superfície semelhante a um espelho e um chip de silício.
A Intel inicialmente planejava começar as entregas dos chips aos fabricantes de televisores no segundo semestre deste ano, o que permitiria que os novos aparelhos chegassem às mãos dos consumidores pelo final do ano. Televisores estreitos e de alta definição estariam disponíveis por menos de 2 mil dólares, segundo a Intel.
Os produtos seriam um grande desafio para a tecnologia de Processamento Digital de Luz da Texas Instruments, um mecanismo de projeção que a empresa vende para 50 fabricantes de TVs desde 1996.
Em agosto, surgiram os primeiros sinais de problemas no projeto LCoS. A Intel adiou o lançamento indefinidamente, dizendo que tinha decidido melhorar a qualidade de imagem antes de colocar o produto no mercado.
Importantes executivos da Intel, recentemente finalizaram o plano de produtos para 2005 e decidiram que os recursos que seriam usados no projeto LCoS seriam melhor aplicados para ampliar os negócios da companhia com processadores de computação aplicados a produtos eletrônicos de consumo, afirmou Calder.
Os chips da Intel, por exemplo, equipam uma nova geração de aparelhos chamados "Entertainment PCs", que atuam como centros digitais para o compartilhamento de vídeo, sons e imagens dentro da casa dos usuários.
Menos de 100 empregados da Intel estavam envolvidos no projeto LCoS e estas pessoas serão alocadas em outras iniciativas, disse Calder.
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