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Polícia Federal realiza mega operação antipirataria no Rio

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Por Marco Luis
13 de Março de 2006, 09:12 PM

 

Operação antipirataria fecha camelódromo da Uruguaiana

Uma operação da Delegacia Antipirataria fechou na manhã desta segunda-feira todas as lojas do Mercado Popular da Rua Uruguaiana, no Centro e levou à prisão o presidente da associação de vendedores do camelódromo, Alexandre Faria. Uma investigação de mais de um ano apontou indícios de irregularidades na administração de Alexandre, acusado de cobrar dos vendedores taxas de iluminação e de segurança e de comandar um esquema de distribuição de produtos piratas. O delegado titular da Delegacia Antipirataria, Marco Aurélio Ribeiro, estima que há 50 toneladas de material a ser recolhido.



Durante a operação, o camelô Fábio de Deus, de 26 anos, foi preso ao tentar recuperar as mercadorias de sua loja. Ele admitiu que vende produtos ilegais. Outro camelô foi detido por desacato. Ambos foram levados para a Delegacia Antipirataria. “Eu sei que não trabalho muito certo, mas é a forma que eu encontro para sobreviver e ganhar o pão de cada dia.”

Na casa do presidente da associação que administra o camelódromo a polícia apreendeu vários produtos piratas, além de R$ 21 mil em moeda brasileira e dólares. Pereira foi preso e está sendo investigado por formação de quadrilha, receptação, violação de direito autoral, corrupção ativa e passiva. “A princípio, a pena pode superar os 15 anos de prisão”, afirmou o delegado Marco Aurélio de Paula Ribeiro.



Um comerciante do local também acusa Pereira de impedir que os comerciantes da Uruguaiana vendam mercadorias legalizadas. “Ele (Alexandre Farias Pereira) incita os comerciantes a não sair da pirataria. Ele simplesmente fala: ‘O negócio é o seguinte: se você colocar outra coisa para vender, você vai quebrar, você não tem dinheiro.’ Ali (no Camelódromo da Uruguaiana), impera a lei do silêncio, do coronelismo. Eu acho que chegou a hora de acabar. - afirmou o vendedor. Pereira negou as acusações.”

Segundo o Ministério Público estadual, que acompanha as ações da Delegacia Antipirataria, existem 1.200 inquéritos em curso sobre a venda de produtos ilegais por camelôs. A maioria envolve o camelódromo da Rua Uruguaiana. Os camelódromos foram criados para tentar organizar o comércio ambulante da cidade, mas, segundo a polícia, eles passaram a ser centros de distribuição de mercadorias falsificadas e contrabandeadas. O da Uruguaiana foi inaugurado há quase 12 anos. Ele ocupa uma área de três mil metros quadrados, na esquina da Avenida Presidente Vargas com a Rua Uruguaiana. O espaço abriga 1.500 boxes e, segundo a polícia, transformou-se em um dos principais pontos de venda de produtos contrabandeados, roubados e falsificados. Durante um ano, a Delegacia Antipirataria investigou o camelódromo e gravou imagens no local.



No início da tarde desta segunda-feira, os policiais da Delegacia Antipirataria começaram a apreender as mercadorias. Segundo estimativa da polícia, das 1,5 mil lojas do Camelódromo da Uruguaiana, pelo menos 500 vendem produtos piratas e contrabandeados. Um estudo feito pelos promotores mostra que a venda de mercadorias pirateadas impede que o estado arrecade R$ 500 mil por mês de ICMS, o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços.

Fotos: Hipólito Pereira (Globo Online) e Marco Luis (Do The Revolution)

Fonte: Globo Online