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Pirataria e iPods decretam a morte do CD
Por Vinicius Longo
06 de Junho de 2006, 05:51 PM Pirataria e iPods decretam a morte do CD Avanço dos formatos digitais diminui a atratividade dos discos de plástico como mídia preferencial para armazenamento de músicas SÃO PAULO - Não faz tanto tempo assim que uma das diversões da garotada era esperar o lançamento de um grande álbum. “Quantas músicas?; como será a capa?” Da mesma maneira, era comum acompanhar os noticiários vindo de fora em que filas de dobrar quarteirões se espalhavam pelas lojas de discos quando um novo lançamento chegava às prateleiras. Aqui no Brasil, o proprietário da simpática Nuvem Nove (R. Clodomiro Amazonas, 128),José Damiani, 53 anos e há mais de 30 no ramo de discos, lembra dos tempos em que o CD era considerado um produto de necessidade. “Éramos referência. A loja ficava lotada em qualquer horário e os clientes queriam saber das novidades. No fim dos anos 90, eu chegava a pedir 250 cópias de um CD novo.” O cenário atual é bem menos animador. Damiani, quando exagera, pede 40 peças de um megalançamento, como o novo de Marisa Monte. O movimento cai, a loja vende menos, o lucro tem de ser enxugado e alguns funcionários são sacrificados. “Não há mais impacto em um lançamento. O CD virou um objeto supérfluo”, diz Damiani. De quem é a culpa? O encolhimento mundial de 30% nos últimos cinco anos da indústria fonográfica somada à falta de investimento das gravadoras nacionais em novos artistas pode ser um dos vilões. O empresário e produtor Rick Bonadio (Charlie Brown Jr, CPM 22, Rouge) segue a tendência das grandes gravadoras de fora. Não assina um contrato apenas visando o lucro na venda de discos. Cuida dos shows, da imagem e da parte editorial das músicas. “É impossível sobreviver nos moldes de antigamente”, revela Bonadio. Nos EUA, a banda Korn fechou um contrato com a gravadora EMI de U$ 14 milhões por dois discos e participação nos shows e outros produtos. “Acho cruel um novo artista ter de abrir esse tipo de precedente para assinar um contrato”, diz a vocalista do Pato Fu, Fernanda Takai, 34. “Dá até vontade de aconselhar a não assinar. Mas temos 14 anos de carreira, viabilizamos a continuidade dela de formas alternativas e baseado no público que nos conhece”, completa. A geração internet A pirataria, tanto digital como física, talvez seja o principal vilão dos novos tempos. Aquele moleque que se descabelava à espera do novo disco do Guns N’ Roses, hoje baixa gratuitamente no seu computador os novos CDs do Arctic Monkeys e do Strokes, antes deles chegarem às lojas. A troca de arquivos digitais virou uma febre - e uma realidade. As tentativas constrangedoras de proibir a distribuição de músicas pela internet, como no caso Napster X Metallica (quando a banda de metal processou os usuários do programa), fez a indústria cair na real. “Vamos começar a fazer uma campanha de conscientização contra a pirataria”, reflete Bonadio. “Não vamos proibir nem prender ninguém. Queremos conscientizar o público de que quanto mais ele baixar música de graça na internet, menor a chance de aparecer um novo artista.” Sua gravadora, a Arsenal, acaba de lançar o novo single de Supla via telefone celular, antes de ir para rádios e lojas. “Temos que correr atrás de alternativas”, fala. A melhor dessas alternativas talvez seja enxergar no iPod, o tocador de MP3 da Apple, um bom moço. Nos EUA, apenas em 2005, foram vendidos 32 milhões de unidades do aparelho. As lojas digitais disparam em vendas. No Brasil, ainda não há grandes magazines para downloads de músicas. A iTunes Store, loja da Apple, está em negociações para entrar no mercado brasileiro, segundo Bonadio. Mas a previsão é de que o CD ainda tenha uma sobrevida. “O CD vai se modificar, não acabar”, conta o produtor. Fernanda Takai tem uma visão peculiar: “Não deixaria de lançar um álbum no formato CD. Acredito que dure um tempo mais. É importante ter tudo compilado, propor uma ordem de audição, cuidar de um projeto gráfico e oferecer esse produto bem acabado”, afirma. Já Damiani vem com outra teoria: “Não existe até loja que só vende meias hoje em dia? As lojas de CDs vão ser tratadas dessa maneira em um futuro próximo”, completa. Fonte: Estadão Repórter: Marco Bezzi
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